Gaza, mais de 60 anos de ocupação e limpeza étnica

A Faixa de Gaza é um territóriode 360 Km2, onde vivem actualmente 1,5 milhões de palestinos. Gaza acorreu grande parte dos refugiados palestinos expulsados das suas terras desde novembro de 1947. Isso modificou completamente sua extrutura demográfica. E hoje é um dos territórios do mundo com mais densidade de população.

Com o acuerdo de paz de 1949 Gaza ficou debaixo do controle egípcio. As possibilidades de trabalho para a população eram mínimas e as condições nos campos de refugiados muito duras. Assim, não é incompreensível que os primeiros movimentos de resistência surgissem nos campos de refugiados deste território. Os movimentos vinculados aos Irmãos Muçulmanos, encontraram já desde um princípio apoio na desesperação da população de Gaza, que via nesta manifestação uma forma de luta anti-colonial e um caminho para a sobrevivência. Também unirão com sucesso as manifestações marxistas, panarabistas e nacionalistas a partir dos anos cinquenta e secenta.

Depois da guerra dos 6 dias, em 1967, Gaza com o resto dos territórios ocupados, ficou debaixo da ocupação israelí, no que chamaram território baixo custódia. As primeiras políticas depois da guerra foram dirigidas a continuar a expulsão iniciada em 1947. Os 590.000 palestinos que viviam em Cisjordânia e os 380.000 que viviam na Faixa de Gaza, colocam em evidência a dimenção e a dificuldade desta política. As revoltas palestinas nos campos de Jabbalya em 1971, param parcialmente os processos de expulsão em Gaza. Paralelamente o governo de Israel iniciava uma política de acentamentos nos territórios ocupados e com a imposição de um regime militar que reprimiu com eficácia qualquer tipo de oposição a esta ocupação.

A economia da Faixa de Gaza passa a depender em 1967, exclusivamente de Israel e do apoio da Comunidade Internacional. Israel colocou uma imposição nos territórios ocupados, um sistema capitalista de livre mercado que permitiu-lhes estabelecer uma relação neo-colonial, da qual podia adquirir mão-de-obra a baixo preço e fazer comercio de bens de consumo nos territórios sem realizar nenhum tipo de investimento, nem criação de infra-extructuras que permitissem uma melhoria das condições de vida da população palestina. Em 1971, 50% dos trabalhadores de Gaza tinham que atravessar diariamente os controles militares de Israel, superar o chamado “Mercado de escravos” para poder trabalhar uma jornada em Israel sem nenhum tipo de segurança ou direitos de trabalhadores, com salários miseráveis; isso sim, melhores em comparação ao que podiam ganhar nos terrotórios vizinhos. As políticas repressivas, as dificuldades de trabalhar e o aumento da densidade demográfica continuaram sendo factores determinantes no futuro de Gaza.

No ano de 1987, havia 850.000 refugiados na Faixa de Gaza numa faixa de idade de 27 anos. Nesse contexto podemos situar a manifestação de revolta nos seus campos de refugiados e sua extenção ao resto dos territórios ocupados. Houve un levantamento civil sem violência de resistência da ocupação, ao que Israel respondeu com o uso das forças militares, provocando numerosos mortos e feridos entre a população palestina, especialmente na Faixa de Gaza. Os toques de recolher, as ordens de fechamento de edifícios públicos, as demolições de casas e de outros bens, tiveram fortes consequências nas condições de vida da população, especialmente no terreno da educação, da saúde, e dos serviços sociais. Mesmo assim explicam-se o crescimento e a formação de grupos baixo a bandeira do Islam político como Hamas ou a Jihad Islâmica, e sua política de resistência à ocupação.

O início do processo de paz, a criação da ANP, e a ajuda internacional criou certas esperanças nas duras condições de vida da população palestina. Apesar de que as ajudas e o processo de paz se viram condidicionados pela retórica de segurança de Israel, e invertiu-se en mais corpos policiais, e em estabelecer mecanismos de controle mais que de melhoria das condições de vida da população palestina, que continuava vivendo em duras condições e baixo à violência imposta pela ocupação.

Apesar de que os acordos de paz proibiam explicitamente qualquer tipo de ação que modificasse a realidade nos territórios ocupados, em Gaza, por exemplo, a população dos colonos em 1996 havia aumentado um 62%. E entre 1967 e 2005, os colonos judeus roubaram a terra e a água e os recursos de despensa da população local. Ao mesmo tempo durante o processo de paz, Israel dependia cada vez menos dos trabalhadores palestinos e começou a isolar o território de Gaza, com o pretexto de controlar a resistência armada, que incluía muitas vezes atentados de suicídio dos grupos islamistas, construindo nos anos noventa um muro de arame eléctrico e torres de vigilância que definitivamente convertem a toda Gaza em um campo de prisioneiros.

Depois de falharem no processo de paz, no ano de 2000, a política de repressão nos territórios ocupados é acentuada. Na Faixa de Gaza, a dificuldade de manter os acentamentos, sua hostilidade para com os palestinos e sua proteção num território densamente povoado, explica o plano de “desconexão” promovido por Ariel Sharon, realizado em 2005 con a evacuação de aproximadamente 9.000 colonos da Faixa de Gaza. A colonização e a “desconexão” vieram acompanhadas de destruições de terras de cultivo e de árvores. Calcula-se que somente entre junho de 2006 e maio de 2007 as forças israelenses destruíram uns 12.900 dunums de terreno agrícola, ademais de arrancar 2.775 árvores na Cisjordânia.

Gaza continúa baixo ocupação, já que todas as fronteiras por terra e mar continuam controladas diretamente ou indiretamente por Israel. Inclusive o passo a Rafah, onde Egito tem o controle e Israel tem amplos poderes de parte dos tratados internacionais. Ao mesmo tempo impôs uma restrição dura de acesso ao mar reduzindo cada vez mais o espaço onde os pescadores da Faixa de Gaza possam controlar sua actividade, até o ponto de inutilizar-lhes quase por completo aos dias de hoje, o limite permitido desde a costa é de tão só umas três milhas náuticas, causando o aumento do desemprego, com uma crise de grandes dimensões neste setor e cortando um importânte abastecimento alimentício para a população.

A vitória de Hamas nas eleições democráticas legislativas de 2006, levam a Israel e a Comunidade Internacional a estabelecer um bloqueio sobre Palestina, contra a vontade popular manifestada nas urnas. Os enfrentamentos entre as facções palestinas, levam a Fatah a controlar Cisjordânia. Hamas, manterá seu poder na Faixa de Gaza, e sendo assim, custará a eles, a imposição de um bloqueio total por parte de Israel, que os deixará sem os principais fornecimentos que são vitais para sua sobrevivência. Desde 12 de junho de 2007 está proibida a entrada em Gaza de matérias primas essenciais para a manutenção do sistema de vias de redes de esgoto e da rede de abastecimento de água. Em novembro de 2007, se haviam perdido 3.500 postos de trabalho por causa do fechamento de 438 empresas de construção.

Em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, Israel atacou a Faixa de Gaza, numa operação militar onde morreram 1.400 palestinos, uma grande maioria deles civis, e numerosas infra-extruturas, vivendas e edifícios públicos de cidades e vilas palestinas foram destruídos. O informe emitido pela comissão de investigação das Nações unidas, declarou que no ataque se haviam produzido crimes de guerra e crimes contra a humanidade, ademais de violar numerosos tratados de Direito Internacional. As recomendações do informe e as investigações por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cairam no esquecimento diplomático e político, onde os Estados e logo as Organizações Internacionais não desenvolveram respostas contundentes e as autoridades de Israel continuam impunes.

O fechamento total das fronteiras de Gaza, impede ainda ao dia de hoje, as possibilidades de reconstrução, fornecimento e desenvolvimento do território palestino. O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados, mostrou como o bloqueio impede a entrada de materiais para a reconstrução. Denunciou também as restrições de abastecimento elétrico e as graves consequências econômicas pelas quais passam e denunciou a construção de um muro subterrâneo para destruir as redes de túneis que atualmente servem de salva-vidas humanitário diante deste bloqueio. Isso acontece em Gaza, mas em Cisjordânia continuam baixo ocupação, separados por um muro que separa a população palestina das suas terras, das suas famílias, e está totalmente fragmentada por numerosos controles militares internos e coloniais. Hoje em dia existem mais de 4.5 milhões de refugiados palestinos, e a população palestina que vive em Israel, sofre uma forte descriminação social.

As iniciativas da sociedade civil para romper o bloqueio à Gaza, viram-se também atacadas com a màxima violência por parte de Israel, como é o caso da Flotilha pela Liberdade. A fraca resposta da Comunidade Internacional, deixa somente nas mãos da sociedade civil, a pressão aos seus governos e às Organizações Internacionais para pôr fim a mais de sessenta anos de “Limpeza étnica” na Palestina.

Nas palavras de IIan Pappe, no pasado, o mundo livre enfrentou-se a situações tão perigosas como as de África do Sul e Sérvia, tomando decisões e sanções fortes e firmes. Somente uma séria e permanente pressão dos governos ocidentais a Israel, enviariam-lhes a mensagem de que a estratégia da força e a política da opressão não são aceitas, nem moralmente, nem politicamente, para este mundo ao que Israel quer pertencer. E afirma como as iniciativas de paz, centraram seus esforços pacificadores na solução da dimensão territorial do conflito, esquecendo completamente questões fundamentais como a culpabilidade, e a restituição dos direitos ou da justiça.

Solidariedade Internacional com Gaza

Em agosto de 2008, 44 pessoas procedentes de 13 países diferentes, embarcaram em duas embarcações de pesca e romperam, por primeira vez em 41 anos, o bloqueio Naval da Faixa de Gaza. Aquelas 44 pessoas puderam demonstrar ao mundo entero que gente comum tendo uma firme vontade e fé profunda aos direitos humanos e equipadas com estratégias bem planejadas podem vencer um bloqueio ilegal imposto por um dos exércitos mais fortes do mundo. Por algo de 4 viagens mais consecutivas, os barcos do Movimento Gaza Livre (Free Gaza Movement – FGM) puderam romper exitosamente o bloqueio naval da faixa de Gaza.
O sucesso da missão do FGM inspiraram outras missões, como a do Viva Palestina, para romper o bloqueio de Gaza.

Depois da invasãoIsraelense na Faixa de Gaza em dezembro de 2008, as missões do FGM foram confrontadas com ataques militares pelas forças israelenses. O estado de Israel está atuando como Piratas do Mediterrâneo, ignorando todas as leis internacionais da Marcha pela Liberdade de Gaza (Gaza Freedom March) que pretendiam entrar em Gaza através da fronteira de Rafah e fazer uma marcha com os palestinos de Gaza até a fronteira de Eretz numa outra tentativa de levantar o bloqueio de Gaza.

No mês de maio de 2010, quando mais ou menos 750 pessoas de mais de 40 países do mundo conseguem organizar-se na ação direta com mais repercussão dos últimos 30 anos com o objetivo de quebrar novamente o bloqueio que padece Gaza; a Flotilha da Liberdade. Seis navios com mais de dez mil toneladas de ajuda huma nitária e carregado de colaboradores, foram mar adentro com o objetivo de reunir-se em águas Internacionais e navegar de maneira conjunta até Gaza. Na madrugada de 31 de maio a Flotilha da Liberdade foi atacada por Israel com um número de 9 mortos e mais de 50 feridos de diferentes graus de periculosidade. Este ataque foi o que detonou em uma condena mundial ao Estado de Israel e a evidência ante o mundo da necessidade de continuar atuando contra a impunidade israelense e em solidariedade com os legítimos direitos do povo palestino.

Fruto da participação de vários cidadãos espanhóis nesta Flotilha é que nasce Rumo a Gaza com o objetivo de ser uma plataforma solidária que, conjuntamente com o resto das organizações mundiais, possa servir de referência para trabalhar com o objetivo de quebrar o bloqueio a Gaza, aliviar a sua população humanitariamente e denunciar as políticas genocidas do Estado de Israel.

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